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A
Rússia desenvolveu a "primeira" vacina contra o
coronavírus, que provoca uma "imunidade duradoura", declarou
nesta terça-feira (11) o presidente Vladimir Putin durante uma videoconferência
com integrantes do governo exibida pela televisão. A expectativa é que o país
marque uma data para iniciar a imunização. A intenção do presidente é
fazer a vacinação em outubro.
"Esta
manhã, pela primeira vez no mundo, foi registrada uma vacina contra o novo
coronavírus", disse Putin. "Sei que é bastante eficaz, que dá uma
imunidade duradoura", completou.
Putin
ainda anunciou que uma de suas filhas foi inoculada com a vacina. "Uma das
minhas filhas tomou esta vacina. Acho que ela participou nos
experimentos", disse Putin, segundo a agência Interfax, poucos minutos
depois de anunciar a homologação.
A
Rússia é o quarto país com mais casos de coronavírus no mundo. São 897 mil
confirmações da doença e mais de 15 mil mortes.
CORRIDA
PELA VACINA
De
acordo também com a OMS, existem atualmente mais de 160 substâncias candidatas
a vacina contra a covid-19 em desenvolvimento em todo o mundo. Para ser
aprovada, a vacina precisa suceder em todas as etapas. As fases 1 e 2, feitas
em dezenas e centenas de pessoas, respectivamente, têm como objetivo avaliar se
o imunizante é seguro, a partir da observação de seus efeitos colaterais.
Também buscam saber se ele estimula o sistema imunológico a combater o vírus.
Na fase 3, a vacina é testada em larga escala para ver se funciona antes de
poder ser liberada para toda a população.
A
China e o Reino Unido já se encontram na fase 3. Enquanto isso, iniciativas
mais avançada dos Estados Unidos ainda não conseguiu começar essa etapa. Pouco
se sabe sobre a empresa Moderna, nos EUA. Ela chegou a anunciar resultados
muito animadores na fase 1 de testes, mas ainda não há informação sobre como
estão os resultados da fase 2, ainda estão em andamento.
Já a
Rússia é responsável por uma das vacinas mais misteriosas, a Gamaleya. O
laboratório russo anunciou resultados positivos na fase 1 de testes, mas sem
muito detalhamentos.
Veja
vacinas que têm avançado
Oxford
Uma
das vacinas mais promissoras está sendo desenvolvida pela Universidade de
Oxford. Na última segunda-feira (20), um artigo revisado por cientistas
publicado na revista Lancet mostrou que a vacina experimental para a covid-19
da empresa AstraZeneca é segura e produziu resposta imune em ensaios clínicos
iniciais em voluntários saudáveis.
O
imunizante, chamado AZD1222, não provocou efeitos colaterais graves e
desenvolveu respostas imunes a anticorpos e células T, de acordo com o estudo
publicado na revista médica The Lancet. Os resultados referem-se às fases 1 e 2
de testes. A terceira etapa está sendo testada em 50 mil pessoas, incluindo 5
mil brasileiros.
"Esperamos
que isso signifique que o sistema imunológico se lembre do vírus, para que
nossa vacina proteja as pessoas por um período prolongado", disse o
principal autor do estudo, Andrew Pollard, da Universidade de Oxford. A fase 3,
com mais de 50 mil voluntários, está em andamento inclusive no Brasil, onde os
testes estão sendo feitos em 5.000 pessoas pela Unifesp (Universidade Federal
de São Paulo), em São Paulo, e pela Rede D'Or, no Rio de Janeiro.
O
caminho até se chegar à vacina ainda é longo. Pesquisadores ressaltam que, nas
fases 1 e 2, o imunizante foi testado entre 23 de abril e 21 de maio em 1.077
voluntários saudáveis, de 18 a 55 anos, num ambiente controlado. Ainda falta
saber como a vacina vai funcionar em larga escala e qual a dose necessária para
proteger todas as pessoas. "Precisamos de mais pesquisas antes de
confirmarmos que a vacina protege efetivamente contra a infecção por SARS-CoV-2
e por quanto tempo dura a proteção", explicou Andrew.
Também
foi firmado, no final de junho, um acordo do Ministério da Saúde com a
Universidade de Oxford que prevê a produção de até 100 milhões de doses dessa
vacina pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), com um investimento do governo
federal de R$ 693,4 milhões. Inicialmente, devem ser produzidas 30,4 milhões de
doses a partir de dezembro de 2020, segundo previsão do governo. Elas só serão
disponibilizadas ao público após comprovação de sua eficácia. A instituição
britânica prevê apresentar os resultados finais das pesquisas apenas em agosto
de 2021.
CanSino
Também
na última segunda-feira (20), a revista Lancet publicou os resultados da fase 2
de outra pesquisa com uma vacina desenvolvida pela farmacêutica chinesa CanSino
Biologics. O teste foi feito com 508 voluntários em Wuhan, que foi o epicentro
da pandemia na China. Eles foram divididos em grupos que receberam uma dose
única, uma meia dose e um placebo.
Segundo
o estudo, 95% do grupo que recebeu doses altas da vacina e 91% dos que tomaram
doses baixas desenvolveram respostas imunes de células T e de anticorpos no 28°
dia após a vacinação. Assim como a vacina de Oxford, os chineses também
recorreram a uma versão de um adenovírus para tentar provocar uma resposta
imune do organismo no combate à infecção causada pelo novo coronavírus.
A
fórmula usada pela empresa no desenvolvimento da vacina é a mesma aprovada para
o enfrentamento do ebola. O estudo lembra, entretanto, que nenhum dos
participantes foi exposto ao novo coronavírus após a vacinação. Por isso, ainda
não é possível dizer se ela protege contra a infecção. A fase 3, com um grupo
maior de participantes, já está em andamento, segundo a empresa.
Sinopharm
Outra
vacina chinesa que está avançando é a Sinopharm. A iniciativa passou pelas
fases preliminares de testes e se provou segura e capaz de induzir resposta
imune. Durante os experimentos, foram 1.120 voluntários, que receberam duas
aplicações da vacina em diferentes doses.
Após
28 dias da primeira aplicação, os pesquisadores perceberam 100% de
seroconversão dos pacientes, o que significa que todos os vacinados tinham os
anticorpos desejados ao final do ciclo. No entanto, os dados também não foram
publicados em formato de artigo científico até o momento.
Assim
como a vacina da Sinovac, a iniciativa da Sinopharm se baseia no uso do vírus
inativado para gerar resposta imune contra a Covid-19. A pesquisa também já
entrou na fase 3 de testes, com a aplicação em voluntários nos Emirados Árabes.
Brasil
CoronaVac
A
vacina contra o coronavírus que está sendo desenvolvida pela farmacêutica
chinesa de biotecnologia Sinovac com o Instituto Butantã, em São Paulo, segue
progredindo para as testagens. As primeiras doses da CoronaVac serão aplicadas
nesta terça-feira (21) em profissionais de saúde. No total, mais de um milhão
de pessoas se inscreveram no site do Governo do Estado criado para recrutar
voluntários, entretanto, apenas 9.000 serão selecionados para participar da
fase 3 dos testes.
A
vacina usa uma versão do vírus inativado, ou seja, não há a presença do
coronavírus Sars-Cov-2 vivo na solução, o que reduz os riscos deste tipo de
imunização. Vacinas inativadas são compostas pelo vírus morto ou por partes
dele. Isso garante que ele não consiga se duplicar no sistema. É o mesmo
princípio das vacinas contra a hepatite e a influenza (gripe), no qual ela
implanta uma espécie de memória celular responsável por ativar a imunidade.
Quando entra em contato com o coronavírus ativo, o corpo já está preparado para
induzir uma resposta imune.
As
pesquisas esperam que os resultados sobre os testes no Brasil saiam até
dezembro. A depender da eficácia, a vacina poderá estar disponível até junho de
2021. As previsões mais otimistas sobre o desenvolvimento de uma vacina contra
o novo coronavírus falam de um ano a um ano e meio para que ela fique pronta.
Informações:
NE10
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