Em
conversa com equipe do Ministério da Saúde na noite dessa terça-feira (14), o
ministro Luiz Henrique Mandetta teria avisado que o presidente Jair Bolsonaro
(Sem Partido) já está em busca de uma pessoa para substituí-lo. Em clima de
despedida, Mandetta ainda teria dito que será demitido nesta semana. O
acordo é de ele esperar a escolha de um novo ministro. As informações são do
jornal Folha de São Paulo.
Na
noite da terça, Mandetta participou de entrevista coletiva no Palácio do
Planalto e, em seguida, realizou a reunião com a equipe. Alguns membros,
inclusive, teriam sugerido que ele pedisse demissão de imediato, ideia
rejeitada por ele. Antes da coletiva, o ministro participou de reunião do
conselho.
Desde
o início da pandemia do novo coronavírus, Bolsonaro e Mandetta já apresentaram
divergências e o presidente já ameaçou demitir o ministro. Bolsonaro
vem manifestando insatisfação por causa da maneira como Mandetta lidera a
crise. A insistência pelo distanciamento social é um dos pontos que provocam
desavenças entre os dois. O presidente defende um isolamento seletivo, apenas
para pessoas do grupo de risco.
No
último domingo (12), em entrevista ao programa Fantástico, da Globo, o
ministro afirmou que o ápice dos casos do novo coronavírus se dará entre maio e
junho, reforçando a importância da população ficar em casa. Ele ainda comparou
Bolsonaro com um diabético que o médico diz que não poder comer açúcar e ele
assalta a geladeira para comer doce. Mandetta ainda declarou que não dava para
"as pessoas" ficarem indo em padarias, sem citar Bolsonaro.
"Isso
preocupa, porque a população olha e fala assim 'será que o ministro da Saúde é
contra o presidente?' Quem a gente tem de ter foco, esse aqui que é o nosso
problema, é o coronavírus. Ele é o principal inimigo. Se eu estou ministro da
Saúde, por obra de nomeação do presidente. O presidente olha pro lado da
economia. O Ministério da Saúde entende a economia, mas chama pelo lado de
proteção à vida", disse Mandetta.
Também
no domingo, dia em que o Brasil ultrapassou a marca de 22,1 mil casos de
coronavírus e 1,2 mil mortes, o presidente afirmou que "parece que a
questão do vírus está indo embora". A declaração foi feita durante
celebração de Páscoa por videoconferência com líderes religiosos. "Veio
agora esse vírus. É o que tenho dito desde o começo, desde há quarenta dia, (é
que) temos dois problemas: o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece
que está começando a ir embora a questão do vírus. Mas está batendo forte a
questão do desemprego. Devemos lutar contra as duas coisas", comentou.

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